Sobre por que a curva de inadimplência subestima o que está por vir nas carteiras pulverizadas.
A curva de inadimplência divulgada pelos grandes FIDCs de varejo desacelerou no último trimestre. O mercado leu como sinal de estabilização. A mesa lê de outro jeito.
Carteiras pulverizadas têm um problema estrutural: a métrica que o cedente reporta — DPD 90, DPD 180 — chega tarde demais para servir de alerta. Quando o estoque vencido aparece no relatório, a originação dos seis meses anteriores já contaminou o veículo. E em ciclos de juros altos com renda real apertada, a deterioração não é linear. É degrau.
Olhamos para três indicadores que o mercado ainda não precifica direito: velocidade de roll-rate entre faixas, concentração de safra na originação recente e qualidade do colateral implícito. Em pelo menos dois FIDCs grandes do varejo brasileiro, os três sinais piscaram amarelo nos últimos 90 dias.
Não é uma tese de catástrofe. É uma tese de assimetria — quem entender o estoque antes do mercado precificar tem janela curta para se posicionar.
